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As Experiência de Quase Morte (EQM) e as provas da Vida após a Morte

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O termo "experiência de quase morte" (ou EQM) refere-se a um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo que as mais divulgadas são a projeção astral (também chamada de "emancipação da alma" ou "experiência fora do corpo"), a "sensação de serenidade" e a "experiência do túnel". Esses fenómenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido declarado como clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação popular.

O termo foi proposto pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 em "Le Moi Des Mourants", como resultado das discussões no final século XIX entre filósofos e psicólogos, relativamente às histórias de escaladores sobre a revisão panorâmica da vida durante quedas. O interesse popular pelas EQMs iniciou-se devido ao trabalho do psiquiatra e parapsicólogo norte-americano Raymond Moody no seu best-seller "Vida Depois da Vida", escrito em 1975 sob o nome de near-death experiences (NDEs), que tinha os mesmos fundamentos que Egger.

Não existe nem um prova científica e nem consenso científico sobre o significado e a causa desses fenómenos. Vários médicos, parapsicólogos, cientistas e especialmente os espiritualistas, apontam essas experiências como provas da projeção astral e da vida após a morte. Por outro lado, a grande maioria dos médicos e cientistas apontam as EQMs como características de alucinações. Em 1982, uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que cerca de 8 milhões de norte-americanos já tinham passado pela experiência de quase morte. Até 2005, haviam sido documentadas menções a EQM em 95% das culturas do mundo. Um dos mais antigos registros de EQM está contido na obra "A República" (Livro X) de Platão.

As pessoas que viveram o fenómeno relatam, geralmente, uma série de experiências comuns, descritas nos estudos de Elizabeth Kubler-Ross (n. 1967) e nem sempre todas elas estão presentes e algumas não seguem padrões. Eis as características que as EQMs típicas têm em comum:

-Um sentimento de paz interior;
-A sensação de flutuar acima do seu corpo físico;
-A impressão de estar num segundo corpo, distinto do corpo físico;
-A percepção da presença de pessoas à sua volta;
-A visão de seres espirituais;
-Visão de 360º;
-Sensação de que o tempo passa mais rápido ou mais devagar;
-Ampliação de vários sentidos;
-A sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo ("experiência do túnel").

Nesse espaço, a pessoa que vive a EQM percebe a presença do que a maioria descreve como um "ser de luz", embora seu significado possa variar conforme os arquétipos culturais, a filosofia ou a religião pessoal. O portal entre essas duas dimensões é também descrito como a fronteira entre a vida e a morte. Por vezes, alguns pacientes que viveram essa experiência relatam que tiveram de decidir se queriam ou não regressar à vida física. Muitas vezes, falam de um campo, uma porta, uma sebe ou um lago, como uma espécie de barreira que, se atravessada, implicaria não regressarem ao seu corpo físico. Algumas EQMs têm elementos que sustentam poucas semelhanças com a experiência de quase-morte típica. Segundo pesquisas, algo em torno de 1% a 25% dos indivíduos não experimenta sensações de paz, não visita o céu e nem encontra espíritos amigáveis.

Ao invés disso, sentem-se aterrorizados e são abordados por demónios ou duendes maliciosos. Eles podem visitar locais que se encaixam nas descrições bíblicas do Inferno, incluindo fogos, almas atormentadas e uma sensação de calor opressivo.

Menos comuns são os relatos de EQMs compartilhadas, onde alguém ligado à pessoa que está a morrer a acompanha na sua jornada fora do corpo. Isso pode tomar a forma de um sonho que ocorre no mesmo momento em que a pessoa estava próxima da morte. Crianças também passam por EQMs. As muito novas tendem a relatar experiências surrealistas com alguns dos elementos comuns das EQMs, mas à medida que elas se tornam mais velhas, o ensino religioso geralmente colora as suas EQMs com uma conotação mais espiritual, tal como encontrar Deus ou Jesus.

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Uma pequena percentagem de pessoas que passaram por EQMs relatam visões proféticas que lhes revelaram o destino da Terra e da humanidade. Trata-se geralmente de uma visão apocalíptica, mostrando o final dos tempos, mas alguns relatam visões da evolução da humanidade em seres superiores. Um grupo de pessoas inclusive relatou que o mundo iria acabar em 1988.

Até há bastante pouco tempo, este fenómeno costumava ser considerado pela ciência como um assunto vulgar, fruto de lendas, crenças populares ou religiosidade. No entanto, na década de 1970, pesquisas como a do Dr. Raymond Moody e a da Dra. Elizabeth Kubler-Ross (principalmente após a publicação dos best-sellers "Vida Depois da Vida" e "Sobre a Morte e o Morrer").
Mesmo com tanto interesse e a presença de numerosos relatos anedóticos, ainda não há qualquer comprovação científica sobre a realidade das experiências de quase-morte. Entre os cientistas que pesquisam o assunto, há os que interpretam as experiências como reações do cérebro (visão monista) e há os que interpretam tais experiências como prova de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista); e de que existe vida após a morte.

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Muitos pesquisadores materialistas, como a psicóloga Susan Blackmore e o anestesiologista Lakhmir Chawla, acreditam na teoria de que as EQMs são alucinações complexas causadas pela falta de oxigénio no cérebro durante a etapa final do processo de morte. Mas muitos outros pesquisadores, como os psiquiatras Raymond Moody e Bruce Greyson, discordam das teorias materialistas e defendem teorias que interpretam as experiências como prova de que a consciência não é produzida cérebro e de que existe vida após a morte, devido principalmente ao argumento de que muitas pessoas demonstram percepções extrassensoriais com precisão em seus relatos de EQM (como por exemplo o famoso caso de EQM da cantora Pam Reynolds).

O primeiro estudo clínico sobre experiências de quase morte em pacientes em estado de paragem cardíaca foi feito pelo cardiologista holandês Pim van Lommel e a sua equipa médica, tendo sido publicado em 2001 pela revista científica Lancet. De acordo com o cardiologista, dos 344 pacientes que foram reanimados com sucesso depois de sofrerem uma paragem cardíaca, 62 (18%) tiveram EQMs e lembraram com detalhes as condições que passaram quando estavam clinicamente mortos. Na conclusão de Lommel, a nossa consciência existe independentemente do cérebro; este sendo um veículo físico de expressão da consciência mas não o produtor da mesma.

Em experimentos realizados em aceleradores centrípetos, que visam compreender as reações psicofisiológicas humanas em presença de enormes acelerações, após momentaneamente desmaiarem (dadas a incapacidade circulatória e oxigenação inadequada do cérebro) as pessoas submetidas ao teste relatam quase sempre alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase morte, incluindo a experiência de se ver fora do corpo; embora, em experiências controladas, as pessoas em testes sejam seguramente mantidas longe do limite entre a vida e a morte.

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A explicação sobrenatural mais comum é que alguém que passa por uma EQM está, na verdade, a experimentas e lembrar-se de coisas que aconteceram com a sua consciência não-corpórea. Quando estão próximas da morte, as suas almas deixam o corpo e começam a perceber coisas que normalmente não perceberiam. A alma passa pela fronteira entre o nosso mundo e o pós-vida, geralmente representada por um túnel com uma luz no final. Enquanto está nessa jornada, a alma encontra-se com outras almas e pode até encontrar uma entidade divina, que muitas pessoas creditam como sendo Deus. Eles vêem um relance de outra realidade de existência, geralmente interpretado como o Céu, mas são trazidos de volta, ou então escolhem voltar para seu corpo terreno.

A crença em projeções astrais liga as EQMs com outras formas de experiência fora do corpo. A projeção astral é a habilidade de uma alma viajar fora do corpo. Em uma EQM, essa alma, deixa espontaneamente o corpo e percorre livremente outros lugares. Alguns casos de EQM parecem oferecer provas de que as pessoas realmente experimentam eventos de um ponto de vista diferente daquele do seu corpo terreno. Pessoas que estavam inconscientes e sem reação, que tiveram os olhos fechados ou foram declaradas clinicamente mortas, relatam detalhes dos procedimentos nelas aplicados e das pessoas presentes no quarto. Há relatos de pessoas com cegueira permanente que passaram por uma EQM e foram capazes de identificar, por exemplo, a cor da camisa do médico.

Para aqueles com fortes crenças na teologia judaico-cristã, as EQMs representam uma prova de que possuímos almas, que elas continuam a existir depois da morte e que tanto o Céu como o Inferno são lugares reais. Alguns acreditam que as EQMs são obra de Satanás, que tenta explorar a vulnerabilidade das pessoas naquele momento, aparecendo como um "anjo de luz". O objetivo de Satanás com essa farsa não é claro.

Outras teorias são um pouco mais enigmáticas. Alguns acreditam que uma EQM representa uma ligação psíquica com seres inteligentes superiores de outra dimensão. Estes seres podem ser humanos, que evoluíram suas almas, superando o ciclo nascimento-morte-reencarnação, oferecendo desse modo um relance do futuro da humanidade como seres espirituais superiores. Às vezes, uma EQM pode até oferecer uma visão literal do futuro, como nas experiências com profecias apocalípticas mencionadas anteriormente.

É interessante observar que as religiões não judaico-cristãs têm histórias e

descrições da morte que parecem explicar muitos dos traços comuns das EQMs. O budismo, por exemplo, descreve a "clara luz da morte", assim como as incorporações demoníacas das falhas morais. A meta da alma é identificar tanto a luz quanto as aparições, como projeções da natureza da própria alma, não como algo objetivamente real. Se isso acontece, a alma pode escapar do ciclo de nascimento-morte-reencarnação e alcançar o nirvana (paz eterna).

Fonte: http://ouniversoparanormal.blogspot.com.br/


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