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Onu alerta para impacto irreversível das mudanças climáticas

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Um novo e abrangente relatório das Nações Unidas alerta para o impacto do aquecimento global que, segundo a organização, terá efeitos “severos, disseminados e irreversíveis”. O documento, divulgado numa reunião de especialistas no Japão, representa a análise mais completa, elaborada até à data, sobre o impacto das mudanças climáticas no planeta.

O relatório foi divulgado após uma semana de intensas discussões entre especialistas numa reunião do Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima que decorreu na cidade nipónica de Yokohama. Os membros do painel das Nações Unidas para o clima dizem que o documento apresenta provas incontestáveis da escala dos efeitos das alterações climáticas nos sistemas naturais e do impacto crescente que estas mudanças, inevitavelmente, terão nos seres humanos.

No sumário do documento lê-se que a saúde, a alimentação e a segurança da humanidade serão provavelmente ameaçadas pelo aumento das temperaturas. Em todos os continentes e em todos os oceanos, as mudanças no clima que ocorreram nas últimas décadas já provocaram impacto nos sistemas naturais e nas populações.

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"Impactos severos, disseminados e irreversíveis"

Seja através da fusão dos glaciares ou do aquecimento do permafrost os efeitos negativos desta tendência não cessarão de se avolumar:

“ As crescentes magnitudes do aquecimento vão aumentar a probabilidade de impactos severos, disseminados e irreversíveis”, lê-se no texto do relatório que se debruça nos efeitos mais significativos a curto prazo, nos sistemas naturais, num horizonte temporal de 20 ou 30 anos.

Os efeitos previstos são quase apocalípticos. As consequências incluem o impacto nos mares e nos sistemas hidrográficos. Os oceanos ficarão mais ácidos, ameaçando os recifes de coral e as muitas espécies biológicas que eles contêm. Em terra, os animais e as plantas começarão a migrar para as terras mais elevadas ou para as regiões polares, à medida que sobem as temperaturas.

Colheitas sofrerão corte acentuado

Os seres humanos não serão poupados. As colheitas de milho, trigo e arroz sofrerão um corte acentuado até 2050. Um terço das projeções avançadas estima esta diminuição em 25 por cento.

Depois de 2050, há o risco de os efeitos nas colheitas se acentuarem, espalhando-se a mais regiões. Isso vai ocorrer num momento em que estarão também a aumentar as necessidades alimentares de uma população mundial que, nessa altura, rondará os nove mil milhões de pessoas. Os especialistas estimam que, até 2050, o preço dos alimentos poderá subir entre 3 a 84 por cento, apenas devido às alterações do clima.

A última vez que o painel apresentou um relatório sobre os efeitos do aquecimento global foi em 2007. Na altura, os especialistas consideraram que era ainda demasiado cedo para perceber se as mudanças no clima afetariam de forma séria a produção de alimentos. Desde essa altura, o número de evidências de que o impacto será sério quase duplicou, mesmo atendendo ao aumento da produção que se poderá obter da modernização de técnicas agrícolas.

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Capturas pesqueiras podem diminuir 50 por cento

Muitas espécies de peixes, que representam a principal fonte de alimentação de muitas populações, vão deixar de frequentar as zonas habituais, por causa do aumento da temperatura das águas. Em algumas áreas dos trópicos e na Antártida, as capturas da pesca podem vir a diminuir em 50 por cento.

“À medida que se avança no futuro, os riscos não param de aumentar, e trata-se aqui de pessoas, do impacto nas colheitas, na disponibilidade de água potável e, em especial, nos acontecimentos [climáticos] extremos na vida das populações “, diz o professor Neil Adger, da universidade de Exter um dos autores do relatório.

Mortes pelo calor aumentam

As pessoas serão afetadas por inundações e pelo aumento da mortalidade relacionada com as ondas de calor. Novos riscos ameaçarão os que trabalham no exterior, como os agricultores e os trabalhadores da construção civil. Os especialistas antecipam um aumento dos problemas relacionados com migrações ligadas às mudanças climáticas, com efeitos na segurança nacional, e dos conflitos entre países.

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Pobres sofrem, ricos não escapam

Uma das autoras do relatório, Maggie Orondo, da Universidade de Nairobi, afirma que, em locais em África, as mudanças climáticas e os acontecimentos extremos significam que “as pessoas ficarão mais vulneráveis e poderão afundar-se ainda mais na pobreza”. Embora os países pobres sejam os que vão sofrer mais a curto prazo, os mais ricos não escaparão aos efeitos da hecatombe ambiental.

“Os ricos vão ter de pensar nas mudanças climáticas. Estamos a constatar esse facto no Reino Unido, com as inundações que tivemos há alguns meses e nas tempestades que ocorreram nos EUA e a seca na Califórnia", diz outro dos autores, o Dr. Saleemul Huq, “trata-se de eventos de milhares de milhões de dólares que os ricos terão de pagar, e existe um limite para o que eles podem pagar”.

"Ninguém ficará imune"

“Ninguém neste planeta ficará imune ao impacto das mudanças climáticas “ disse o presidente da conferência do Painel Intergovernamental sobre a Mudança do Clima, Rajendra Pachauri.

O secretário geral da Organização Mundial de Meteorologia, Michel Jarrauld, explicou que o relatório se baseou em mais de 12.000 estudos cientificamente revistos e descreveu o documento como “a prova mais sólida que é possível obter em qualquer disciplina científica”.

Apesar do cenário alarmante, os autores do relatório não pretendem assustar, mas antes exercer pedagogia junto dos decisões mundiais.

"Ignorância deixa de ser desculpa"

De acordo Michel Jarrauld, anteriormente, a humanidade pode ter danificado o clima terrestre por ignorância, mas, a partir de agora, “a ignorância deixa de ser uma boa desculpa”.

O vice-presidente do grupo de trabalho, Chris Field ,faz questão de destacar que nem tudo são más notícias: “ Penso que a grande novidade deste relatório é a nova ideia que consiste em pensar no problema de gerir as mudanças climáticas como um problema de gestão de riscos”.

“As mudanças climáticas são um problema muito importante, mas dispomos de muitas das ferramentas necessárias para lidar de forma eficaz com ele: temos apenas de o fazer de uma forma inteligente”, diz o Dr. Field.

Fonte: http://www.rtp.pt/


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