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O Catarismo e a Reencarnação

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Cátaros e a Reencarnação

O Catarismo foi um movimento cristão iniciado em meados do ano 1100 na Europa Meridional que encontrou sua essência no sul da França, na região conhecida como Albi. Por isso, muitas fontes utilizam o termo Albigense para referir-se aos cátaros, cristãos que tinha por base de fé a reencarnação.

Várias comunidades cátaras também estavam presentes na Itália, Espanha, em territórios eslavos e até na Constantinopla. O catarismo expandia-se rapidamente, pois sua filosofia pregava um cristianismo apostólico e promovia a evolução espiritual através do conhecimento e da fé em Deus pela reencarnação.

Nesse post, você irá conhecer as razões pelas quais a Igreja Católica temia tanto o avanço do Catarismo, o que resultou na única Cruzada da história lançada contra uma população cristã.

Quem foram os Cátaros?

O termo cátaro tem sua origem na palavra grega Katharoi, e significa ‘puro’. A população cátara era tida como referência por seu ascetismo, bons modos e moralidade.

O catarismo distinguia-se em duas classes distintas: os Perfeitos e os crentes.

A classe dos Perfeitos era composta por aqueles que obtinham o único sacramento cátaro, considerado como o batismo do espírito e intitulado de consolamentum. Após esse processo, esses escolhidos tornavam-se castos, abriam mãos de suas posses materiais e passavam a ser conhecidos com o título de Perfeitos.

Eles possuíam um profundo conhecimento filosófico e teológico, e por isso atuavam como sacerdotes, cavalgando através das cidades, promovendo debates e pregando o evangelho. Utilizavam a imposição de mãos para promover curas espirituais e eram especialistas no uso de ervas medicinais.

Não havia distinção entre homens e mulheres, o que para a época era uma amostra do patamar de superioridade intelectual e espiritual desse movimento.

Já para os crentes ou simpatizantes, não existia a imposição de regras rígidas. Cada membro agia de acordo com linhas de conduta ética estabelecidas pelo próprio grupo social e utilizava sua própria liberdade de expressão e de pensamento para interagir socialmente.

Por esses e outros motivos, as cidades cátaras tornaram-se as mais prósperas e belas da Europa naquela época, o que, como veremos a seguir, gerou medo e cobiça por parte da Igreja e da família real da França.

Qual a filosofia do Catarismo?

O Catarismo era um movimento cristão. Os cátaros acreditavam que Jesus Cristo era filho de Deus e liam a bíblia (Novo Testamento) com muito mais freqüência que os sacerdotes católicos.

Porém, os cátaros compreendiam o Universo de uma forma dualista. Você pode entender melhor o significado do termo dualismo nesse post sobre o filósofo Anaximandro.

Para eles, o corpo material de Jesus é tão sagrando quanto o de qualquer outro ser humano. O verdadeiro Jesus Cristo está presente no corpo espiritual e não na matéria.

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Segundo o Catarismo, o mundo material é corrupto e irrelevante para a salvação. A evolução espiritual através da fé e do conhecimento é a única forma de avançar na senda.

Os cátaros ensinavam a Reencarnação desde cedo para as crianças. Não era um conhecimento restrito a pequenos grupos secretos. Após a morte, caso o Espírito não tivesse atingido o grau necessário de evolução, continuaria reencarnando na Terra até tornar-se apto a abraçar uma vida material suficientemente pura.

Deus não é um vigilante celestial esperando que você cometa erros materiais para lhe punir eternamente no fogo do inferno. As chaves para a evolução espiritual estão contidas na mente de cada pessoa, e apenas por meio do esforço próprio que é possível alcançar estados beatíficos de comunhão divina.

Por que a Igreja os temia?

A Igreja Católica Apostólica Romana enxergava o Catarismo como a maior ameaça ao seu plano de dominação da população mundial. Afinal, os cátaros não aceitavam a hierarquia espiritual da Igreja e entendiam que as capelas grandiosas e os riquíssimos ornamentos serviam apenas para demonstrar a ligação da Igreja ao mundo material.

Além disso, a mulher cátara possuía os mesmos direitos do homem, o que ia totalmente contra os princípios católicos; a mulher não deveria estar estudando e pregando o evangelho, mas sim em casa procriando e cuidando da prole.

A Igreja também não aceitava a evolução do homem através do conhecimento e do ciclo de Reencarnação. O ser humano teria apenas uma única chance de alcançar o céu e a única forma de chegar lá é baixando a cabeça e aceitando tudo o que o clero católico dizia.

O conhecimento é nocivo e terá como único resultado a eternidade no fogo do inferno

Como podemos perceber, foi só questão de tempo para a Igreja mexer os seus pauzinhos e dar início a séculos de massacre que culminaram com o extermínio quase total do Catarismo.

Qual a estratégia da Igreja para destruir o Catarismo?

Por volta do ano 1150, o Catarismo tinha avançado consideravelmente e contava com o apoio de um grande número de nobres. Em 1167, os cátaros realizaram um concílio internacional na cidade de Toulouse que contou com a presença de membros espalhados por quase toda a Europa.

Em 1165, o papa Alexandre III tentou coibir o movimento declarando o Catarismo como um movimento herético, o que não logrou muito efeito na sua contenção.

Já em 1198, o papa Inocêncio III aumentou o esforço para controlar os cátaros enviando os melhores sacerdotes da Igreja para a região do Languedoc com o objetivo de converter o maior número de hereges possível. Essa estratégia não chegou nem perto de dar certo, pois os Perfeitos possuíam um conhecimento muito maior do evangelho do que os próprios membros do clero.

No ano de 1208, esse mesmo papa cansado das tentativas frustradas de conter o Catarismo, decidiu lançar uma Cruzada contra o movimento. Essa Cruzada foi à única da história lançada contra cristãos.

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Nessa mesma época, a família real Francesa vivia um momento de tremenda instabilidade com pouquíssimos territórios sob seu controle. O papa percebeu a oportunidade e declarou que as terras dos cátaros iriam ser transferidas para aqueles que as dominassem primeiro. Dentro de pouco tempo, um exército com mais de 200.000 cruzados foi formado, ansiosos para conquistar territórios e saquear as ricas cidades cátaras.

Essa campanha contra o Catarismo e seus partidários ficou conhecida como Cruzada Albigense e ficou marcada por sua destacada crueldade.

O Extermínio do povo Cátaro

Em 1209, cruzados famintos por terras e riquezas liderados pelo nobre Simon de Montfort, sob supervisão do enviado papal Arnold Amaury, sitiaram a cidade de Béziers, considerada uma das mais proeminentes da época e sua população era formada por membros de diversos grupos religiosos.

Momentos antes do ataque, Simon perguntou ao emissário como seria possível diferenciar os cristãos dos hereges durante o ataque. Arnold respondeu com essas palavras, a única frase do conflito legada à posteridade:

“Matem todos, Deus saberá quem são os seus”.

Mais de 25.000 pessoas foram cruelmente massacradas em Béziers. Não houve distinção de sexo, credo ou idade. Após o massacre, a cidade foi saqueada e queimada.

Após essa batalha, sucedeu-se a conquista de Carcassone, Murte, Narbonne, Toulouse e outras cidades.

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Montségur e início da Inquisição

Os últimos Perfeitos remanescentes do movimento cátaro se concentraram no castelo de Montségur no ano de 1244.

Forças da Igreja montaram cerco ao castelo e construíram uma gigantesca fogueira no topo da colina onde Montségur estava localizado. Todos os Perfeitos foram lançados vivos nessa fogueira. Em um futuro próximo, essa prática seria utilizada constantemente pela Inquisição.

Os poucos cátaros que conseguiram fugir para partes distantes de onde antes moravam, passaram a viver escondidos e eram perseguidos por ex-cátaros que se converteram ao catolicismo.

Não se sabe ao certo quantos cátaros tiveram suas vidas ceifadas, mas certamente os números superam as centenas de milhares. Por volta do início do século XIV, o Catarismo já tinha sido exterminado por completo.

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Fica fácil perceber como a Igreja conseguiu e ainda consegue manter seu reinado de mentiras e opressão ao longo dos milênios. Depois do extermínio do Catarismo, todo movimento que pregasse o livre pensamento e a evolução espiritual através do esforço próprio também teria o mesmo destino na fogueira da Inquisição.

Esse será o primeiro post de uma série sobre aqueles que foram silenciados pela Igreja Católica Apostólica Romana e seu clero ganancioso e materialista.

Fonte: http://caosnosistema.com/


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